Design inclusivo: interfaces acessíveis para todos

De acordo com o IBGE (2010), cerca de 45 milhões de pessoas do Brasil declaram possuir alguma deficiência. Esse número equivale a cerca de 1/4 de toda a população do país. Desconsiderar estas pessoas na hora de criar um aplicativo não parece ser uma boa ideia, não é? E o design inclusivo, como o próprio nome sugere, pode ajudar neste processo de integração.

Já falamos sobre acessibilidade por aqui quando listamos 3 iniciativas e tecnologias que visam incluir e facilitar a vida de pessoas com deficiência, por exemplo.

Porém, a proposta de hoje é um pouco diferente: vamos discutir sobre a importância das interfaces acessíveis e listar alguns princípios que podem fazer toda a diferença. Para saber mais, é só continuar a leitura!

O que é o design inclusivo

De acordo com o Inclusive Design Toolkit, grupo de pesquisa da Universidade de Cambridge, o design inclusivo preza por integrar o maior número de usuários possíveis, valorizando a diversidade e a acessibilidade.

“Toda decisão de design tem o poder de incluir ou excluir clientes” – Inclusive Design Toolkit

Isso é corroborado pelo British Standards Institute, que define o termo como o design de produtos e/ou serviços que são utilizáveis e acessíveis para o mair número de pessoas possível, sem a necessidade de adaptação ou design especializado.

Design inclusivo nas interfaces digitais

Os produtos digitais abrem diversas possibilidades para a acessibilidade. Mary Pat Radabaugh, ex-diretora do Centro Nacional de Apoio para Pessoas com Deficiência da IBM, já falava sobre isso há décadas. De acordo com ela, a tecnologia torna as coisas mais fáceis para pessoas sem deficiência. Enquanto para as pessoas com deficiência, ela torna as coisas possíveis.

Apesar do senso comum, desenvolver aplicativos ou sites acessíveis não é tão caro ou difícil como imaginam. Na verdade, quando a ideia de inclusividade é inserida desde o planejamento de uma plataforma, tudo fica mais simples!

Os designers UX têm de pensar em todos os usuários neste processo, inclusive naqueles com deficiência. É a hora da empatia e da pesquisa falarem mais alto. E, claro, existem alguns princípios simples que podem ser adotadas na hora de fazer uma interface com design inclusivo.

Os princípios do design inclusivo

Lillian Xiao, designer UX da Volkswagen, listou para o portal UX Planet 6 princípios do design inclusivo que podem fazer toda a diferença! De acordo com ela, ao adotar essas práticas, é possível criar um mindset mais inclusivo na prática de design. Dá só uma olhada:

1. Busque por pontos de exclusão

É importante buscar de forma proativa pelos pontos de exclusão dos usuários. Checar os feedbacks, por exemplo, pode ser uma ótima ideia para perceber e compreender melhor o que está faltando num app e como mudar isso.

2. Identifique os desafios cotidianos

O cotidiano de pessoas com deficiência é repleto de desafios. Por isso, é muito importante considerar os diferentes contextos em que os usuários estarão interagindo com as interfaces. A partir disso, tentar facilitar ao máximo as experiências, para que elas sejam acessíveis inclusive nos momentos de exclusão do usuário.

3. Reconheça suas limitações

Mesmo com muita pesquisa, é impossível para um designer (seja ele PCD ou não) conhecer todos os desafios enfrentados pelos diferentes usuários.

Por isso, envolver pessoas de várias comunidades pode ser interessante para o processo de design. Assim, os usuários podem mostrar as suas necessidades, além de fazer com que os designers possam ir além de suas pesquisas.

4. Ofereça diferentes formas de engajamento

Existem diferentes formas de engajar com uma experiência e é muito importante que o máximo delas estejam disponíveis em uma interface inclusiva. Afinal, com diferentes opções de engajamento, os usuários podem escolher aquelas que mais se adequam às suas circunstâncias.

5. Ofereça experiências equivalentes

Um cuidado extra ao oferecer diferentes formas de engajamento é se certificar de que elas sejam equivalentes. Da mesma forma que usuários podem ouvir áudios em diferentes velocidades, é interessante oferecer diferentes velocidades de legenda para usuários surdos ou com deficiências auditivas, por exemplo.

6. Amplie a solução para todos os usuários.

Mesmo quando uma solução é pensada para um grupo específico de usuários, não quer dizer que ela estará limitada a este público. Legendas, por exemplo, geralmente são pensadas para pessoas surdas ou com deficiências auditivas. Porém, elas também podem ser usadas por outros usuários, incluindo aqueles sem deficiência. Por isso, é importante desenvolver uma solução para diferentes audiências, tentando ser o mais inclusivo possível.

O que achou desses princípios? Concorda que é possível — e necessário — desenvolver plataformas com design inclusivo e acessível? Conta pra gente nos comentários!

E se você gostou deste texto e quer saber mais sobre o mundo do design UX, não deixe de conferir nossa seção especial sobre o assunto!

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